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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Santo Aquila e Santa Priscila - Patronos da Fraternidade

Muito prezados (as) Salve Maria,
Segue os grandes santos casais patronos da nossa Fraternidade.
Santa Priscila e Santo Áquila são dois dos primeiros cristãos evangelizados por Paulo de Tarso. No Martirológio Romano, Santo Áquila e Santa Priscila são festejados dia 8 de julho.
História
Prisca (cujo nome significa literalmente em português "velha"), também conhecida pelo diminuitivo Priscila (velhinha), era esposa de Áquila, e foi uma das primeiras divulgadoras do Evangelho em Roma. A forma mais curta desse nome é encontrada nos escritos de Paulo, e a forma mais longa nos de Lucas. Estes tipos de variações eram comuns nos nomes romanos. Áquila é mencionado nos Atos como esposo de Priscila e é contado como um dos Setenta Discípulos.
O casal era amigo de Paulo de Tarso e faziam cultos em sua casa. Os dois são elogiados na Bíblia por mostrarem excelentes obras cristãs e hospitalidade, não só para com as pessoas em geral, mas também para com a comunidade cristã onde moravam, por realizarem as reuniões cristãs em sua casa, tanto em Roma como em Éfeso. Foram expulsos de Roma devido ao decreto do imperador romano Cláudio por volta do ano 49 ou 50.
Mudaram-se para Corinto (Grécia). Paulo morou ali com eles por cerca de 18 meses, sendo que todos trabalhavam fabricando tendas. Viajaram com Paulo até Éfeso, permanecendo ali por algum tempo, e ajudaram a "expor mais corretamente o caminho de Deus" ao eloquente Apolo. Retornaram a Roma por certo tempo (Romanos 16:3-5) e, mais tarde, viajaram de volta a Éfeso. O contacto pessoal com Paulo estendeu-se desde cerca de 50 até à morte do apóstolo uns 15 anos depois. Menciona-se que, durante tal associação, eles "arriscaram os seus próprios pescoços" pela vida de Paulo.
Citações bíblicas relativas a Santo Áquila e Santa Priscila
“              «Encontrou ali um judeu chamado Áquila, que era da província do Ponto. Fazia pouco tempo que ele tinha chegado da Itália com Priscila, a sua esposa. Eles tinham saído de lá porque o imperador Cláudio havia mandado que todos os judeus fossem embora de Roma. Paulo foi visitá-los.» (Atos 18:2)       ”
“              «Paulo ficou muitos dias com os cristãos em Corinto. Depois se despediu deles e embarcou num navio para a província da Síria, junto com Priscila e o seu marido Áquila. Antes de embarcar em Cencréia, ele rapou a cabeça como sinal de que havia cumprido uma promessa que tinha feito a Deus.» (Atos 18:18)          ”
“              «Eles chegaram à cidade de Éfeso, e Priscila e Áquila ficaram ali. Paulo entrou na sinagoga e falou com os judeus.» (Atos 18:19)    ”
“              «Ele começou a falar com coragem na sinagoga. Priscila e o seu marido Áquila o ouviram falar; então o levaram para a casa deles e lhe explicaram melhor o Caminho de Deus.» (Atos 18:26)  ”
“              «Mando saudações a Priscila e ao seu marido Áquila, meus companheiros no serviço de Cristo Jesus.» (Romanos 16:3)               ”
“              «As igrejas da província da Ásia mandam saudações. Áquila e a sua esposa Priscila e a igreja que se reúne na casa deles mandam saudações cristãs a vocês.» (I Coríntios 16:19)         ”
“              «Saudações a Priscila e ao seu marido Áquila e também à família de Onesíforo.» (II Timóteo 4:19)         ”
In Corde Jesu et Mariae 

sábado, 23 de julho de 2016

São Pedro - o eremita - Patrono ...

Muito prezados (as), Salve Maria.
Segue mais uma vida de um grande santo patrono da Fraternidade Apostólica Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus.

Pedro, o Eremita ou Pedro de Amiens (Amiens, 1053 - Abadia de Neufmoutier, Huy, 8 de julho de 1115), chamado Pierre l'Ermite ou Pierre d’Amiens em francês e Petrus Eremita em latim, foi um monge francês e um dos principais pregadores da Primeira Cruzada.
Liderou a componente não-oficial desta expedição, a malograda Cruzada Popular ou Cruzada dos Mendigos, e foi um dos seus poucos sobreviventes. Depois de se juntar à Cruzada dos Nobres, conseguiu cumprir o seu voto de cruzado de visitar o Santo Sepulcro em Jerusalém. Morreria somente alguns anos mais tarde, em solo europeu.
Também lhe é atribuída uma peregrinação a Jerusalém em 1093, durante a qual Pedro teria observado as perseguições sofridas pelos peregrinos. Ao informar esta situação ao papa Urbano II, tê-lo-ia incitado a lançar o apelo da cruzada. No entanto, historiadores atuais qualificam este episódio como uma lenda a desconsiderar da história.
Cruzada popular
Depois de persuadir um número de germânicos a partir Pedro iniciou a sua expedição ao liderar o provavelmente mais numeroso contingente da Cruzada Popular, com cerca de 40.000 peregrinos. Partiu de Colónia a 20 de Abril de 1096, atravessando o Sacro Império Romano-Germânico e a Hungria, seguindo o rio Danúbio.
Na sua travessia por este território, dezasseis homens do contingente de Gualtério Sem-Haveres tinham tentado pilhar um mercado em Semlin, na fronteira com o Império Bizantino. Depois de dominados, os dezasseis cruzados foram despojados das suas armaduras e roupas, que foram penduradas como aviso nas muralhas do castelo . Os seguidores de Pedro foram assim recebidos nesta cidade pela antagonizadora visão das dezasseis armaduras cruzadas.
Eventualmente uma disputa sobre o preço de um par de sapatos no mercado levou a um motim, que rapidamente se tornou num ataque à cidade pelos cruzados (provavelmente contra a vontade de Pedro), no qual 4.000 húngaros perderam a vida. A única forma de escaparem à ira do rei Colomano da Hungria foi passar o mais depressa possível para território bizantino.
Ao fugirem, atravessando o rio Sava, os ocidentais chegaram a Belgrado, lutando contra as tropas da cidade. Os residentes fugiram e os cruzados pilharam e incendiaram Belgrado, e depois marcharam durante sete dias até chegar a Niš, a 3 de julho. O comandante desta cidade prometeu fornecer alimentos e uma escolta para os peregrinos até Constantinopla, se estes partissem imediatamente.
Pedro o Eremita partiu na manhã seguinte, mas alguns germânicos entraram em uma nova disputa com os locais na estrada e incendiaram um moinho. O conflito escalou até ao ponto de Niš enviar toda a sua guarnição contra os cruzados. O resultado foi a completa derrota do exército peregrino, que perdeu cerca de 10.000 cruzados, cerca de um quarto do seu total . Depois de se reagruparem em Bela Palanka (na Sérvia), chegaram a Sófia a 12 de julho. Lá encontraram a escolta bizantina que os conduziria em segurança até Constantinopla, onde chegaram a 1° de agosto para se reunirem com o contingente de Gualtério.
O imperador Aleixo I Comneno viu-se a braços com uma expedição de peregrinos desordeiros, cujos próprios líderes não conseguiam controlar. Temendo mais tumultos e com mais cruzados a chegar ou a caminho da sua capital, apressou-se a transportar os 30.000 cristãos latinos pelo Bósforo.
Aleixo avisou o Eremita para não dar batalha aos turcos, que o bizantino acreditava serem guerreiros superiores a este exército desorganizado, e para aguardarem a chegada das tropas mais bem equipadas que estavam para chegar na Cruzada dos Nobres. Tem sido debatido se foi de propósito que o imperador não lhes forneceu guias bizantinos, que conheciam a Anatólia, sabendo que sem guias os cruzados seriam chacinados pelos turcos; ou se pelo contrário teriam sido os cruzados que insistiram em prosseguir a viagem pela Ásia Menor apesar dos seus avisos.
Os cruzados estabeleceram uma base temporária em acampamento usado por mercenários ao serviço do Império Bizantino, chamado Civitot . Entretanto as tensões entre francos de um lado, e germânicos e italianos do outro, resultaram em uma diferença de opiniões sobre como continuar. O exército separou-se em dois contingentes, o franco liderado por Godofredo Burel e o germânico/italiano por um italiano chamado Reinaldo.
6.000 germânicos foram derrotados pelos seljúcidas na fortaleza de Xerigordo. No entanto, dois espiões turcos no campo franco espalharam o rumor de que pelo contrário não só esta fortaleza tinha sido tomada, como também Niceia. Incentivados pela possibilidade de saque de uma cidade importante, os francos apressaram-se para lá chegar o mais depressa possível. Só mais tarde souberam a verdade de o que acontecera em Xerigordo. Com os cruzados tomados de pânico, Pedro o Eremita voltou a Constantinopla para obter mantimentos.
O exército turco aguardava em emboscada a cerca de três milhas do acampamento cruzado. Na batalha que se seguiu, os ocidentais seriam massacrados quase na totalidade, mas as crianças e os que se renderam foram poupados, provavelmente forçados a converterem-se ao Islão e escravizados. Para além de alguns sobreviventes dispersos, apenas cerca de 3.000 peregrinos se conseguiram refugiar num castelo abandonado. Eventualmente uma força bizantina chegou de barco e levantou o cerco turco para levar os ocidentais de volta a Constantinopla, onde muitos se reuniriam com Pedro o Eremita.
Cruzada dos nobres
Os sobreviventes da Cruzada Popular passaram o Inverno em Constantinopla, com pouca assistência dos bizantinos. Aguardavam a chegada da Cruzada dos Nobres para, sob escolta destes, poderem concluir a peregrinação a Jerusalém.
Os barões chegaram durante a Primavera de 1097 e o Eremita juntou-se a esta expedição como um membro do conselho. Apesar de os seus números nunca mais atingirem os 40.000 de 1096, os mendigos sob a sua responsabilidade foram aumentando durante a Cruzada dos Nobres com os cruzados entretanto desarmados, feridos ou falidos. Pedro apenas atraiu atenção ao proferir alguns discursos para motivar os companheiros. Ficou limitado a um papel subordinado durante o resto da expedição, que entretanto se tornara claramente em uma campanha militar e contava com o seu próprio líder espiritual, o legado papal Ademar de Monteil.
No entanto, a sua presença é referida no início de 1098, durante o cerco de Antioquia. Esta acção militar foi talvez a mais dura da Primeira Cruzada devido à sua longa duração (cerca de oito meses) e às dificuldades de abastecimento que os cruzados enfrentaram, sofrendo fome e doenças. Muitos plebeus e nobres, como o conde Estêvão de Blois, desesperaram e abandonaram a expedição nesta altura.

Descrito por Guiberto de Nogent como uma "estrela caída", o Eremita também tentaria desertar, juntamente com Guilherme le Charpentier, visconde de Melun. Tancredo de Altavila, temendo uma deserção generalizada, perseguiu os dois fugitivos e levou-os à força junto para junto do seu tio Boemundo de Tarento, que os repreendeu severamente .
No entanto, Guibert e outras fontes referem que, quando foi a vez de os cruzados ficarem cercados em Antioquia pelo exército de Kerbogha, Pedro foi escolhido para parlamentar com o líder muçulmano e solicitar-lhe que levantasse o cerco . A 27 de junho, acompanhado de um intérprete chamado Herluin que falava a língua árabe, terá sugerido que a posse da cidade fosse decidida em duelo, mas Kerbogha teria recusado e posteriormente seria derrotado na batalha de Antioquia.
Pedro volta a surgir nas crónicas como tesoureiro das esmolas no Cerco de Arqa em março de 1099, e no Monte das Oliveiras a 8 de julho, no Cerco de Jerusalém. Durante esta acção militar os cruzados marcharam em procissão, pretendendo que as muralhas desta cidade caíssem da mesma forma que a Bíblia relata ter acontecido com Josué no cerco de Jericó. Pedro o Eremita foi um dos oradores dos sermões que suplicavam a intervenção divina. Posteriormente é descrita a sua presença em Jerusalém, depois da conquista desta cidade e antes da batalha de Ascalão. No final de 1099 foi para Lataquia e de lá apanhou uma embarcação para o ocidente, desaparecendo das crónicas
In Corde Jesu et Mariae

terça-feira, 12 de julho de 2016

Santa Isabel da Hungria

Muito prezados (as),
Seja Louvado Nosso Senhor Jesus Cristo para sempre Seja Louvado,
Salve Maria,

Santa Isabel da Hungria e da Turíngia, OFS (Pressburgo, 7 de julho de 1207 - Marburgo, 17 de novembro de 1231), foi uma princesa do Reino da Hungria, filha de André II da Hungria e da rainha Gertrudes de Andechs-Meran, descendente da família dos condes deAndechs-Meran, e uma santa católica.

Historia


Isabel de Andechs foi a segunda filha do Rei André II da Hungria e de sua esposa Gertrudes de Andechs-Meran. Nasceu no verão de 1207, no Castelo de Bratislava ou Saros-Patak. Em seu sangue fluía a nobreza das mais poderosas casas reais da Europa. Do lado materno, era sobrinha da Santa Edviges da Silésia e tia das santas Cunegunda (Kinga) e Santa Margarida da Hungria e tia-avó deSanta Isabel de Portugal e, do lado paterno, prima de Santa Inês de Praga.

O nascimento de Isabel foi maravilhosamente anunciado por Klingsohr da Transilvânia, um trovador medieval, no distante Reino daTuríngia. Numa noite de festa, profetizou ao então landgrave Hermano I da Turíngia com as seguintes palavras: "Vejo uma estrela que se levanta da Hungria, que brilhará aqui nesta terra e depois no mundo inteiro. Pois hoje nasceu na Hungria uma menina que será santa. Ela será esposa de seu filho quando crescer, e será famosa no mundo inteiro."

Encantado com as palavras proféticas que ouvira, o landgrave Hermano enviou uma comitiva a Hungria e foi acertado com o Rei André II o casamento de Isabel com seu filho mais velho, o infante Hermano . Diz a tradição que a menina, com apenas quatro anos, despediu-se da Hungria e foi levada à Turíngia num berço de prata, acompanhada de uma grande escolta, para ser educada ao lado do futuro esposo. No entanto, quis o destino que o Príncipe Hermao falecesse e em seu lugar, Isabel foi prometida em casamento ao príncipe Luís, segundo filho de Hermano I e da duquesa Sofia de Wittelsbach. O certo é que Luís e Isabel viveram um amor intenso, belo e verdadeiro desde o primeiro momento.

Hermano I era soberano de um dos feudos mais ricos do Sacro Império Romano-Germânico. O noivado foi realizado no Castelo de Wartburg, em Eisenach, capital do Ducado da Turíngia, quando Isabel tinha apenas 4 anos e Luís, 11. Anos depois, em 1217, morreu o landgrave e Luís assumiu a coroa, quando se casou com Isabel em meio à grandes festas. Juntos, viveram um matrimônio exemplar, abençoado com três filhos. Isso, no entanto, fez atrair sobre Isabel os ciúmes de sua sogra, a duquesa Sofia, e demais parentes do esposo, principalmente seus cunhados, os príncipes Henrique Raspe e Conrado e a princesa Inês.

Como governante, Luís IV se mostrou sábio, forte, corajoso e justo. E Isabel partilhava com o marido suas intenções de zelarem pelo bem estar e felicidade de seu povo, baseados em fortes princípios cristãos. A religiosidade alemã foi fortemente influenciada pela espiritualidade franciscana, cuja ordem surgiu naquela época. Admirada dos exemplos de Francisco e Clara de Assis, a princípio Isabel quis viver uma pobreza voluntária total, no que foi desaconselhada pelo seu diretor espiritual, Conrado de Marburgo, que a aconselhou a viver as virtudes do seu estado.

Sua doçura e abnegação, fortemente enlaçadas por um grande amor a Deus e aos pobres, foram causa de um intenso apostolado missionário junto aos sofridos e por isso mesmo suas práticas de caridade foram objeto das bênçãos divinas, que provou a virtude de sua serva com admiráveis milagres e prodígios. Embora o povo a amasse e a considerasse uma santa, o mesmo não nutriam por ela os parentes de seu amado esposo e demais nobres da corte. A duquesa Sofia, sua cunhada Inês, e os cunhados Henrique e Conrado, sempre a perseguiram e tentaram indispô-la contra o marido, o que a jovem duquesa sempre perdoou e ocultou ao marido. Em várias ocasiões armaram situações para que Luís por ela se antipatizasse e a rejeitasse, como era comum ocorrer com muitos reis levianos da época. Mas o amor, o carinho e a admiração que ele sentia por Isabel era maior que tudo.

Certamente o mais famoso milagre narrado a seu respeito foi o chamado Milagre das Rosas. Dela conta-se que certa vez, quando levava pães para os pobres nas dobras de seu manto, encontrou-se com seu marido, que voltava da caça. O duque estranhou a conduta da esposa, que parecia esconder algo, talvez insuflado pela astúcia de seu irmão Henrique ou da própria mãe, Sofia. O diálogo entre os dois ficou famoso nos anais das lendas de santos. "O que tu levas no avental Isabel?" Ao que a jovem princesa respondeu, trêmula: "São rosas, meu senhor!" Espantado por vê-la curvada ao peso de sua carga, ele abriu o manto que ela apertava contra o corpo e nada mais achou do que belas rosas frescas e orvalhadas, embora fosse inverno e não fosse época de flores. Note-se que da sua sobrinha, Santa Isabel de Aragão, Rainha de Portugal, se conta uma lenda muito idêntica, o Milagre das Rosas.

Em outra situação, avisado pelos nobres da corte de que a esposa havia acolhido um leproso sobre o próprio leito, Luís correu para lá enojado, achando que a esposa havia enlouquecido, mas os olhos de sua alma se abriram e ele contemplou uma imagem de Cristo Crucificado.

De uma outra feita, sabendo que chegariam alguns nobres da Hungria, enviados pelo rei André para visitarem-nos, Luís mandou preparar uma grande festa para recepcioná-los. Isabel havia passado o dia inteiro cuidando dos pobres e não estava vestida decentemente, o que foi o bastante para receber as críticas daqueles que a perseguiam. Preocupado em proteger a esposa daqueles que a perseguiam, pediu que ela se preparasse convenientemente para o banquete segundo a sua condição de rainha, ainda mais diante dos emissários de seu pai. Contudo, Isabel prometeu ao marido que se apresentaria em todo o esplendor de sua humildade. E qual não foi a surpresa e o deslumbramento de todos quando ela se apresentou na sala do trono diante do marido, da corte e dos visitantes bela e esplendorosa num vestido de brocados, trajando um suntuoso manto de veludo orlado de ouro e pérolas. Assim Deus vestira a sua serva diante a solicitação do fiel Luís.

Luís apoiava e auxiliava a amada esposa em suas grandes obras de caridade e chegava até mesmo a passar horas da noite ajoelhado ao seu lado, segurando-lhe as mãos enquanto ela rezava. Porém, tamanha prodigalidade para com os pobres apoiada pelo próprio rei, continuava a irritar os seus cunhados, os príncipes Henrique e COnradO da Turíngia, embora a Duquesa Sofia tivesse reduzido ou até cessado a perseguição a nora, em virtude dos milagres que havia presenciado.

A caminho para as cruzadas, acompanhando o imperador Frederico II] de quem muito admirava, Luís faleceu de peste em Otranto, o que causou enorme dor em Santa Isabel, que recebera a notícia da morte em outubro, após o nascimento da terceira filha, Gertrudes. Ao saber da morte do esposo, Isabel desesperou-se e saiu gritando enlouquecida pelo castelo, dizendo em prantos: "O mundo morreu para mim, e com ele, tudo quanto era alegria". Durante oito dias choraram a sua morte.

Esta dor, entretanto, foi ainda acrescida de maiores agruras, quando seus cunhados, livres do temor que nutriam pelo irmão mais velho, expulsaram Isabel do castelo com seus filhos, em pleno inverno, sem dinheiro e sem mantimentos. O seu cunhado Henrique Raspe usurpou a coroa e expulsou Isabel e as três criancinhas, acompanhadas das fiéis Judite e Isentrude, e proibiu a quem quer que fosse ajudá-los, sob pena de castigo. O povo que antes idolatrava a jovem duquesa agora se viu obrigado a lhe fechar as portas por medo do novo landgrave.

Isabel teria ficado em situação complicada se não fosse resgatada mais tarde por sua tia Matilde, Abadessa do Convento Cisterciense de Kitzingen. Seu tio Otto, que era Bispo de Bamberg, tentou convencê-la a se casar novamente com outro príncipe europeu, mas Isabel não quis. Foi então que tomou a decisão mais difícil de sua vida: preferiu confiar a seus parentes a educação dos três filhos - Hermano, Sofia e Gertrudes - e quis tomar o hábito da Ordem Terceira de São Francisco, junto de suas duas fiéis damas de companhia Judite e Isentrude.

Algum tempo depois, entretanto, os cavaleiros que tinham acompanhado o Duque da Turíngia à cruzada voltaram, trazendo seu corpo. Corajosamente enfrentaram os Príncipes, irmãos do duque falecido e exprobaram-lhes a crueldade praticada contra a viúva de seu próprio irmão e contra seus sobrinhos. Os príncipes não resistiram às palavras dos cavaleiros e pediram perdão a Santa Isabel e a restauraram em seus bens e propriedades. Também o Papa havia forçado Henrique a devolver a coroa e a fortuna a cunhada, sob pena de excomunhão. Orientada por Mestre Conrado, Isabel aceitou a fortuna para poder utilizá-la em favor dos pobres. No entanto, entregou o pequeno Hermano para ser educado pela avó no Castelo de Wartburg a fim de se tornar o futuro Landgrave da Turíngia. Quanto a Sofia, entregou-a aos cuidados da tia para ser educada no convento e ela mais tarde se tornou a Duquesa de Brabante. A pequenina Gertrudes foi entregue às monjas do Mosteiro de Altemberg e ali cresceu, tornando-se religiosa mais tarde.

Henrique ficou como regente do ducado durante a menoridade do sobrinho mais velho, o novo duque soberano, porém Isabel preferiu viver na pobreza absoluta, o que muito desejava, retirou-se primeiro para Eisenach, depois para o Castelo de Pottenstein e, finalmente para uma modesta residência em Marburgo. Ali fundou um hospital com parte da herança do marido e se pôs a viver numa humilde choupana, de onde saía para atender os pobres, mendigos e doentes que acolhia amorosamente. A capela do Hospital de Marburgo foi dedicada em honra a São Francisco de Assis.

Mestre Conrado de Marburgo a orientou numa vida de renúncia, impondo-lhe uma rígida e sufocante disciplina. Expulsou de perto dela as duas fiéis amigas Judite e Isentrudem e colocou em sua companhia duas mulheres de vida dissoluta que a agrediam e caluniavam. Mestre Conrado chegou até mesmo a dar-lhe tapas no rosto. Depois de tantos sofrimentos que ela suportou com admirável resignação, a jovem duquesa foi salva por seu antigo protetor e padrinho, o Conde Bertoldo de Saros-Patak, que em companhia de vários outros cavaleiros e nobres amigos fiéis a ela e ao seu falecido marido, obrigaram Mestre Conrado a abrandar o rigor de sua direção espiritual, o que ele fez por medo. Então restituiu Isentrude e Jutta à companhia da Duquesa e a alegria voltou ao seu coração.

Nesta época de sua vida, a santidade de Isabel manifestou-se de forma extraordinária e seu nome tornou-se famoso em todas as montanhas da Alemanha. Dizia-se que São João Batista vinha lhe trazer pessoalmente a comunhão e que inúmeras vezes ela foi visitada pelo próprio Jesus Cristo e pela Virgem Maria, que a consolavam em seus sofrimentos. Uma de suas amigas depôs no processo de canonização algo que surpreendeu a todos: várias vezes a santa era elevada no ar a mais de um metro do chão, enquanto contemplava o Santíssimo Sacramento absorta em êxtase contemplativo. Perguntada certa vez sobre que fim queria dar à herança que lhe pertencia disse: "Minha herança é Jesus Cristo!"

Dias antes de sua morte, Nossa Senhora apareceu-lhe cercada de anjos e prometeu-lhe o céu, visão esta que causou profunda alegria ao coração de Isabel. Faleceu docemente na noite do dia 19 de novembro de1231, com apenas 24 anos. Foi sepultada com grandes honras e seu túmulo foi e ainda é palco de inúmeros milagres realizados por sua intercessão. Foi canonizada pelo Papa Gregório IX em 1235. Também seu marido Ludwig e sua filha Gertrudes foram elevados à honra dos altares e honrados como santos.

Dela disse o Cardeal Ratzinger, na altura arcebispo de Munique, actual Papa Bento XVI: O que fez foi realmente viver com os pobres. Desempenhava pessoalmente os serviços mais elementares do cuidado com os doentes: lavava-os, ajudava-os precisamente nas suas necessidades mais básicas, vestia-os, tecia-lhes roupas, compartilhava a sua vida e o seu destino e, nos últimos anos, teve de sustentar-se apenas com o trabalho das suas próprias mãos.(…)

Deus era real para ela. Aceitou-o como realidade e por isso lhe dedicava uma parte do seu tempo, permitia que Ele e sua presença lhe custassem alguma coisa. E como tinha descoberto realmente a Deus, e Cristo não era para ela uma figura distante, mas o Senhor e o Irmão da sua vida, encontrou a partir de Deus o ser humano, imagem de Deus. Essa é também a razão por que quis e pôde levar aos homens a justiça e o amor divinos. Só quem encontra a Deus pode também ser autenticamente humano. (Da homilia na igreja de Santa Isabel da Hungria de Munique, em 2 de dezembro de 1981).

É padroeira da Ordem Franciscana Secular.

In Corde Jesu et Mariae - Deus Vult